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Solidão Conectada : Vínculos Frágeis, Intimidade Rarefeita e o Medo de Depender

  • Foto do escritor: Psicóloga Laís Almeida
    Psicóloga Laís Almeida
  • 19 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Vivemos cercados de vozes, telas acesas, notificações que piscam como promessas de presença. Ainda assim, algo falta. A solidão contemporânea não nasce do isolamento físico, mas do excesso de conexões que não criam morada. Estamos juntos, porém desencontrados. Tocamos sem tocar.



Na cultura da velocidade, os vínculos tornaram-se leves demais para sustentar o peso de uma existência compartilhada. Relacionamentos são iniciados e descartados com a mesma facilidade de um deslizar de dedos. A intimidade, que exige tempo, silêncio e risco, vai sendo substituída por versões editadas de si: mais agradáveis, menos reais. O outro é convidado a ver apenas a superfície, nunca o avesso.



Há, por trás disso, um medo antigo que veste roupas modernas: o medo de depender. Depender do outro implica reconhecer a própria incompletude, aceitar a vulnerabilidade como condição humana. No entanto, aprendemos que autonomia é sinônimo de não precisar, de não pedir, de não se apoiar. Assim, construímos fortalezas emocionais onde ninguém entra e onde ninguém nos encontra.



Do ponto de vista existencial, essa solidão conectada revela um conflito profundo: desejamos ser vistos, mas tememos ser verdadeiramente conhecidos. Queremos vínculo, mas fugimos do compromisso que ele exige. Preferimos a segurança da distância à incerteza do encontro.


A clínica escuta diariamente esse paradoxo. Pessoas rodeadas de contatos, mas famintas de presença. Relatos de relações sem profundidade, de diálogos sem escuta, de afetos que não se sustentam. Não se trata de falta de amor, mas de medo de se expor ao amor.



Talvez o caminho não seja desconectar-se, mas reaprender a habitar o encontro. Aceitar que depender não é fraqueza, é condição. Que intimidade não é fusão, mas disponibilidade. E que todo vínculo verdadeiro carrega risco, e, justamente por isso, sentido.



Seja bem-vindo à psicoterapia e continue nos acompanhando.



Psicóloga Popular | Psicologia Viva Zen !

 
 
 

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