Quando o Descanso Vira Necessidade e Não Escolha
- Psicóloga Laís Almeida

- 19 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Há um momento silencioso em que o corpo começa a falar mais alto do que a vontade. Ele não pede licença, não negocia prazos, não aceita promessas de “só mais um pouco”. É quando o descanso deixa de ser escolha e se torna necessidade, uma exigência vital, quase um grito contido.
Vivemos numa cultura que exalta a produtividade como virtude moral. Descansar, nesse cenário, costuma ser tratado como prêmio ou indulgência. Só paramos quando “merecemos”. O problema é que o corpo não reconhece essa lógica. Ele conhece limites. E quando são ultrapassados repetidamente, cobra seu preço em forma de exaustão, irritabilidade, adoecimento, vazio.
Do ponto de vista existencial, o cansaço não é apenas físico. Muitas vezes é o peso de existir sem pausas verdadeiras, de sustentar papéis demais, de carregar expectativas que não nos pertencem. Descansar, então, não é só dormir ou tirar férias. É suspender, ainda que por instantes, a obrigação de ser tudo para todos. É permitir-se não performar.
Quando o descanso vira necessidade, geralmente já ignoramos sinais sutis por tempo demais. Pequenas desistências internas, esquecimentos, o prazer que vai murchando. O corpo se torna o último mensageiro de algo que a consciência evitou escutar: assim não dá mais.
É preciso dizer com firmeza e sem culpa: descansar não é fraqueza, é lucidez. Não é fuga da vida, é condição para habitá-la com presença. Quem nunca para, aos poucos desaparece de si mesmo.
Talvez a pergunta mais honesta não seja “quando posso descansar?”, mas “por que precisei chegar ao limite para me autorizar a parar?”. O descanso necessário nos confronta com verdades incômodas, mas também abre a chance de uma escolha mais cuidadosa daqui para frente.
Descansar, às vezes, é um ato radical de amor-próprio. É dizer ao mundo e a si que existir não deveria doer tanto.
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