O Perdão Como Libertação Existencial
- Psicóloga Laís Almeida

- 19 de dez de 2025
- 2 min de leitura

Perdoar não é um gesto moral elevado, tampouco um prêmio concedido a quem feriu. Perdoar é, antes de tudo, um movimento íntimo de libertação. Na perspectiva existencial, o perdão não nasce da obrigação, mas da escolha consciente de não permanecer aprisionado a um passado que já não pode ser reescrito, apenas ressignificado.
A mágoa, quando mantida, transforma-se em morada. Passamos a viver dentro da ferida, organizando pensamentos, emoções e decisões a partir dela. O outro segue seu caminho, enquanto nós carregamos o peso, pesado, silencioso, corrosivo. O perdão, então, surge como um ato de coragem: não para apagar o ocorrido, mas para devolver a nós mesmos a autoria da própria existência.
Na clínica, é comum confundir perdão com esquecimento ou reconciliação. Essa confusão é injusta. Perdoar não exige proximidade, nem continuidade do vínculo. Exige apenas honestidade consigo: reconhecer a dor, validar a injustiça sofrida e, ainda assim, escolher não permitir que o acontecimento defina quem se é. O perdão não absolve o outro; liberta quem perdoa.
Do ponto de vista existencial-fenomenológico, o ser humano é um projeto em constante construção. Permanecer preso ao ressentimento é congelar esse projeto, reduzir o futuro à repetição do passado. Perdoar é abrir espaço para o novo, para outras possibilidades de ser, sentir e existir. É dizer, em silêncio firme: “isso me marcou, mas não me determina”.
Há quem não esteja pronto para perdoar e isso também precisa ser respeitado. O perdão não floresce sob imposição. Ele amadurece no tempo subjetivo de cada um. Quando chega, não vem com euforia, mas com alívio. Um alívio sereno, quase discreto, de quem finalmente solta o fardo e caminha mais leve.
Perdoar é um ato profundamente humano. Não é fraqueza; é liberdade. E liberdade, em sua essência, é sempre um gesto radical de responsabilidade consigo mesmo.
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