O Mito da Felicidade Constante
- Psicóloga Laís Almeida

- 2 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Há um mito que serpenteia silencioso pelas entranhas da vida moderna: a crença de que a felicidade deveria ser um estado contínuo, puro, sem rachaduras. Esse ideal tão sedutor, quanto cruel, transforma a existência em um palco onde todos fingem estar sempre bem, enquanto o coração, por trás da cortina, pulsa em suas marés naturais de luminosidade e sombra.
Na perspectiva psicológica contemporânea, especialmente sob o olhar existencial, a promessa da felicidade constante é uma ficção que adoece. Porque ser humano é ser movimento, é ser atravessado por forças contraditórias, é oscilar entre encantamento e dor. A vida não é uma linha reta: é uma respiração. E nenhuma respiração permanece eternamente no inspirar.
Quando o indivíduo se convence de que deve sentir alegria permanente, acaba desenvolvendo um olhar punitivo sobre qualquer tristeza, angústia ou cansaço. Como se esses afetos fossem falhas, desvios, fraquezas e não expressões legítimas do estar-no-mundo. A psicologia aponta que a tentativa obsessiva de manter a felicidade como padrão gera ansiedade, sentimento crônico de inadequação e uma desconexão profunda consigo mesmo.
A fenomenologia existencial nos lembra que a autenticidade nasce do reconhecimento honesto da própria ambivalência. A felicidade, quando surge, não é um troféu conquistado pela força, mas um clarão que brota justamente porque aceitamos a textura completa da vida. Não há alegria verdadeira sem o risco da perda; não há plenitude sem o confronto com o vazio. A busca madura não é pela felicidade constante, mas pela capacidade de habitar a própria experiência com coragem, sem negar o que dói.
Assim, desmontar o mito da felicidade contínua é um gesto de libertação. É permitir que o ser respire sem culpa, que a alma encontre sua cadência real. E, nesse espaço de verdade, a felicidade volta a ser o que sempre foi: uma visita luminosa, não uma obrigação opressora.
Seja bem-vindo à psicoterapia e continue nos acompanhando.
Psicóloga Popular | Psicologia Viva Zen !




Comentários