Ansiedade Climática e Colapso de Futuro : Quando o Amanhã Deixa de Prometer
- Psicóloga Laís Almeida

- 19 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Existe um tipo de angústia que não nasce apenas da história pessoal, mas do horizonte coletivo. Ela se infiltra silenciosa, como um céu que escurece antes da tempestade. A ansiedade climática é essa experiência: um sofrimento que emerge quando o futuro, antes promessa, passa a ser ameaça.
Não se trata de medo irracional. Ao contrário, é uma reação lúcida a um mundo que dá sinais claros de esgotamento. Incêndios, enchentes, secas extremas e colapsos ambientais não são mais exceções, tornaram-se rotina. O psiquismo, sensível ao tempo vivido, responde. Quando o amanhã parece frágil demais para sustentar projetos, sonhos e continuidade, instala-se o colapso de futuro.
Clinicamente, essa ansiedade aparece como desesperança, culpa, sensação de impotência e uma pergunta recorrente: vale a pena planejar? Jovens adiam escolhas, adultos sentem-se responsáveis por um dano irreversível, pais carregam o peso de trazer filhos a um mundo ferido. O tempo deixa de ser linear e fértil; transforma-se em contagem regressiva.
No existencial, a ansiedade climática escancara algo fundamental: o ser humano é um ser-no-mundo. Quando o mundo adoece, o sujeito também adoece. Não há neutralidade possível. Negar esse sofrimento é, muitas vezes, uma tentativa desesperada de preservar uma normalidade que já não se sustenta.
Contudo, é preciso dizer com firmeza: sentir ansiedade diante do colapso ambiental não é patologia, é sensibilidade ética. O sofrimento surge não por excesso de fragilidade, mas por excesso de consciência. O risco está em permanecer paralisado.
A clínica não oferece soluções ecológicas, mas pode devolver algo essencial: a possibilidade de habitar o presente com responsabilidade, sem sucumbir ao desespero. Quando o amanhã deixa de prometer, resta ao hoje tornar-se escolha. E, mesmo em um mundo em ruínas, ainda é possível construir sentidos, pequenos, finitos, mas profundamente humanos.
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