top of page

Angústia, Tédio e Temor na Experiência Humana

  • Foto do escritor: Psicóloga Laís Almeida
    Psicóloga Laís Almeida
  • 19 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Há estados da alma que não gritam, mas insistem. A angústia, o tédio e o temor caminham juntos como sombras discretas do existir. Não são doenças a serem extirpadas; são mensagens. Ignorá-las é silenciar a própria condição humana.



A angústia surge quando o chão conhecido se desfaz. Ela não aponta um perigo concreto, mas revela a liberdade, esse abismo fértil e assustador. É o mal-estar de quem percebe que não há mapas definitivos. A angústia desnuda: retira as certezas prontas e nos devolve a responsabilidade de escolher. Por isso dói. Por isso ensina. Quando escutada, ela afina a escuta do desejo e convoca à autoria da própria vida.



O tédio, por sua vez, não é mera falta do que fazer. É o esgotamento do sentido. Mesmo cercado de estímulos, o sujeito entediado sente o tempo esticar como borracha velha. O tédio denuncia uma vida vivida por inércia, um afastamento silencioso do que pulsa. Ele pede reencontro: com o corpo, com o tempo próprio, com aquilo que importa. Não se cura com distração; exige presença.



Já o temor é a vigília do coração diante do desconhecido. Diferente do medo objetivo, o temor é mais difuso, mais íntimo. Ele protege e paralisa. Pode ser sinal de prudência ou de aprisionamento. Quando domina, encolhe o horizonte; quando reconhecido, torna-se aliado, ensinando limites e convidando ao cuidado.



Angústia, tédio e temor não são inimigos. São portais. A psicologia que os reduz a sintomas perde sua poesia e sua ética. É preciso coragem para habitá-los sem pressa de calar. Há, nesses estados, uma sabedoria áspera: a de que viver é arriscar sentido, sustentar o vazio e, ainda assim, seguir. Com humildade. Com verdade. Com presença.


Seja bem-vindo à psicoterapia e continue nos acompanhando.



Psicóloga Popular | Psicologia Viva Zen !

 
 
 

Comentários


bottom of page