A Culpa por Sentir : Aprendendo a Aceitar Emoções Desconfortáveis
- Psicóloga Laís Almeida

- 29 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

Sentir é, por si só, um ato de coragem. Ainda assim, há momentos em que o coração se encolhe diante de certas emoções, como se a tristeza, o medo ou a raiva fossem intrusas vergonhosas que precisassem ser escondidas atrás de um sorriso educado. A culpa surge, então, como uma sombra: “Por que estou assim?”, “Por que não sou mais forte?”, “Por que algo tão pequeno me afeta tanto?”.
Na psicologia, compreendemos que a culpa por sentir revela um conflito profundo entre quem somos e quem achamos que deveríamos ser. Aprendemos desde cedo a valorizar emoções “aceitáveis”, enquanto empurramos para o porão da consciência tudo aquilo que soa feio, exagerado ou difícil de digerir. Mas a verdade é que toda emoção, até a mais desconfortável, é uma expressão legítima da nossa humanidade. Sentir não é falha; é testemunho de que estamos vivos.
Aceitar emoções dolorosas não significa se afogar nelas. Significa permitir que atravessem o corpo, como ondas que vêm e vão, sem tentar aprisioná-las ou silenciá-las. A culpa, quando olhada de perto, costuma esconder um pedido de cuidado: ela aponta para nossas rigidezes internas, para expectativas impossíveis, para a crença de que deveríamos ser imunes à vulnerabilidade.
A psicoterapia oferece um espaço onde essas emoções ganham voz, sem julgamento. Ali, aprendemos que acolher o que dói é um gesto de maturidade afetiva. Que admitir fragilidades não nos reduz, nos humaniza. E que, paradoxalmente, só conseguimos nos transformar quando paramos de lutar contra o que sentimos.
Aceitar emoções desconfortáveis é aprender a caminhar com elas de mãos dadas, sabendo que nenhuma delas define quem somos por completo. É reconhecer que até o que pesa, quando aceito, pode se tornar leve. É o início silencioso de uma liberdade possível.
Seja bem-vindo à psicoterapia e continue nos acompanhando.
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