A Arte de Desacelerar em Um Mundo que Exige Pressa
- Psicóloga Laís Almeida

- 29 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

Em um tempo em que as horas correm como cavalos soltos e o cotidiano nos exige urgência, desacelerar tornou-se quase um ato de rebeldia delicado, mas profundamente transformador. Há uma poesia silenciosa no gesto de reduzir o passo, como quem escolhe ouvir o próprio coração antes de atender às exigências do mundo.
Na psicologia contemporânea, desacelerar não é sinônimo de preguiça ou fuga; é um retorno sensível ao ritmo interno. Vivemos imersos em expectativas que nos arrancam de nós mesmos: produtividade constante, respostas imediatas, a ilusão de que só existe valor quando se corre. Nesse cenário, o corpo protesta, a mente se confunde, e o ser se distancia de sua morada mais íntima.
A arte de desacelerar nasce do gesto humilde de escutar. Quando repousamos sobre a própria experiência, floresce uma compreensão rara: cada emoção tem o seu tempo, e nenhuma cicatrização acontece em velocidade de máquina. A lentidão é o terreno fértil onde a consciência se expande, onde escolhas amadurecem antes de se tornarem caminhos.
É preciso coragem para sustentar o silêncio, para permitir que a inquietação se revele sem pressa. Mas é nesse espaço que surgem clarezas, pequenas faíscas que iluminam prioridades, desejos esquecidos, necessidades negligenciadas. A desaceleração devolve o senso de presença: comer sentindo o sabor, respirar percebendo o ar, caminhar estando na própria pele.
Em um mundo que se alimenta de pressa, desacelerar é um gesto de lucidez e justiça consigo. É um lembrete de que o ser humano não foi feito para viver em alta rotação permanente. A arte está justamente em recuperar o compasso natural do existir e honrar o direito de viver em ritmo humano, não perfeito, não eficiente, mas verdadeiro.
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